Resenha do Livro Linguagem e Ideologia (José Fiorin)

No livro Linguagem e Ideologia o autor José Fiorin tem a intensão de verificar qual  é o lugar das determinações ideológicas no complexo fenômeno que é a linguagem, e analisar como esta se veicula á ideologia , mostrando o que é ideologizado na linguagem.

Para isso o autor cita opiniões de líderes, como Karl Marx e Friedrich Engels , os quais afirmavam que nem a linguagem e nem o pensamento constituem domínio autônomo , assim sendo os dois expressões da vida real.

A linguagem é um fenômeno ao mesmo tempo individual e social, física, fisiológica e psquica, é um fenômeno extremamente complexo.Sendo assim simultaneamente autônoma e determinada socialmente,sendo necessário distinguir dimensões e níveis autônomos e determinados.

Sobre o sistema, este é social ou seja todos os falantes de uma mesma comunidade lingüística possuem o sistema em comum,na realização do sistema é importante distinguir entre discurso e fala.A fala é a exteriorização psico-fisiológica do discurso, rigorosamente individual, pois é sempre há um eu o qual toma a palavra e realiza o ato de exteriorizar o discurso. Em si mesma, a fala não sofre qualquer determinação social, pois ela é a simples exteriorização do discurso. É o ato concreto, momentâneo e individual de manifestação da linguagem.

Já o discurso consiste em combinações de elementos linguísticos,frases ou conjuntos constituídos de muitas frases, usadas pelos falantes com o propósito de exprimir seus pensamentos, de falar do mundo exterior ou de seu mundo interno, expondo para o mundo.No discurso há o campo da manipulação consciente e da determinação inconsciente . A manipulação consciente é chamada de sintaxe discursiva, nesta o falante utiliza artifícios argumentativos entre outros procedimentos da sintaxe discursiva com o intuito de criar efeitos de sentido de verdade ou de realidade visando convencer seu interlocutor. O falante utiliza em sua estratégia discursiva um jogo de imagens com o interlocutor, assim através de procedimentos argumentativos ele consolida a imagem que deseja que o interlocutor tenha dele.

Na determinação inconsciente, chamado de semântica discursiva, o conjunto de elementos semânticos habitualmente usados nos discursos de uma determinada época constituiu a maneira de ver o mundo em uma formação social. Esses elementos surgem a partir de outros discursos já construídos, cristalizados e cujas condições de produção foram apagadas.

Levando isto em conta, o homem assimila os elementos semânticos de acordo com a sua educação , constituindo-se assim em sua maneira de pensar sobre o mundo.

No livro Fiorin trata ideologia como um conjunto de idéias as representações que servem para retratar, e explicar a sociedade , as condições de vida , e o relacionamento que o homem possui com o próximo, e com a sociedade, a formação ideológica é uma visão do mundo e esta sempre vinculada á linguagem.

A consciência individual determina as condições de vida do individuo levando em conta o seu meio social. Uma formação ideológica deve ser entendida como a visão de mundo de uma determinada classe social, isto é, um conjunto de representações, de idéias que revelam a compreensão que uma dada classe tem do mundo.As visões de mundo não se desvinculam da linguagem, porque a ideologia vista é indissociável da linguagem. As idéias e os discursos são expressão da via real, o discurso materializa as representações ideológicas, as idéias e representações não existem fora dos quadros lingüísticos. Assim as formações ideológicas só ganham existência nas formações discursivas.

A consciência é formada pelo conjunto dos discursos memorizados pelo homem ao longo de sua vida. O homem aprende como ver o mundo pelos discursos que assimila e, na maior parte das vezes, reproduz esses discursos em sua fala, assim sendo não existe uma individualidade espiritual e nem uma individualidade discursiva absoluta.

Enquanto o discurso é a materialização das formações ideológica, sendo, por isso, determinado por elas, o texto é unicamente um lugar de manipulação consciente, em que o homem organiza os elementos de expressão que estão a sua disposição para veicular seu discurso. O texto é, pois, individual, enquanto o discurso é social. Há um nível grande de liberdade no âmbito da textualização, enquanto, o nível discursivo, o homem está preso aos temas e às figuras das formações discursivas existentes na formação social em que está inserido.

Na medida em que as formações discursivas materializam as formações ideológicas e estas estão relacionadas às classes sociais, os agentes discursivos são as classes, embora haja diferentes formações discursivas numa formação social, a formação discursiva dominante é a da classe dominante. As classes sócias impõe ao indivíduo o que ele deve ou não falar.

Mapa conceitual

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